Crítica | Adoniran – Meu Nome é João Rubinato

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Ao ouvir o nome Adoniran Barbosa, duas coisas podem vir instantaneamente à mente: um certo trem das onze e o famoso “Quaiscalingudum” animado. Depois desse documentários isso se quebra em milhares de pedaços.

Fugindo da estética fácil e da narrativa comum, as entrevistas, imagens e vídeos coletados pelo diretor Pedro Serrano mostram um outro lado do compositor paulista.

Indicando as incoerências do personagem criado à sua volta e da pessoa por trás da gravata borboleta. Quem poderá dizer que o trem não existiu? Que a festa de Arnesto não ocorreu? Acho que ninguém.

“Papo de Cinema”.

Marcado pelo cinza de uma cidade em confuso processo de formação, sendo este, rápido demais até para os acordes de seu samba, Adoniran é indissociável de São Paulo.

Seja do Adoniran que adorava uma bebidinha até o João Rubinato sério, preocupado com um mundo em plena desintegração, vindo até as de um outro universo, por sua vez, em plena construção.

É aquele sentimento de dois tempos coexistindo que perderia durante o documentário: a vida de Adoniran não foi preto e branco como a cidade em que veio a viver após tais mudanças.

“Cinema em Cena”

É aquela angústia de existir, que passa do sambinha alegre, que passa e se torna poesia para diversas gerações.

É um artista completo, que emociona mesmo após sua morte. O retrato pintado por Serrano é o mais puro e honesto possível, em uma ótica que aproxima Adoniran dos ditos “vagabundos” e transeuntes desta cidade de pedra.

“Farofafá”.

Um olhar social e engajado da obra de um dos maiores artistas brasileiros, ganhando forma poética em um filme belíssimo. A magia de Adoniran não se perde nunca nesta 1h30min de filme, tampouco perde-se seu cruel realismo.

Se eu fizer um samba de cada coisa que muda em São Paulo, onde eu vou parar? Não posso. Muito violento o progresso.“, palavras de Adoniran, escondidas por entre o alegre samba do paulista.

“Veja-São Paulo”.

Representando o “palhaço triste”, Adoniran dá alegrias aos que não podem sorrir, por assim como ele, carregam fardos incompreensíveis para esse tempo de mudanças.

Adoniran- Meu Nome é João Rubinato” quebra o artista, indica os caminhos da pessoa e depois reconstrói Adoniran Barbosa em todos os seus traços. O olhar melancólico sempre acompanha o bom samba.

Nas palavras da maravilhosa Elis Regina: “Adoniran não é uma pessoa para se estar rindo dele. É um camarada muito sério para gente ficar fazendo ‘cais cais cais’ a toda hora, sabe?“.

Confira o trailer:

Ouça o nosso podcast:

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